8 de maio de 2012

Trabalhando as múltiplas linguagens na Educação Infantil


Muito se tem falado hoje, na educação infantil, em se trabalhar as múltiplas linguagens das crianças. A escola italiana da cidade de Reggio Emilia, inspirada no trabalho do educador Loris Malaguzzi, destaca e vivencia as cem linguagens das crianças no cotidiano e na cultura infantil.
Mas o que, de fato, significa trabalhar as “Cem Linguagens” das crianças? Significa que devemos educar ensinando e cuidando para que as crianças possam maravilhar-se com o impossível, experimentando, investigando, descobrindo, fantasiando e criando sua cultura infantil.
Mas será que os pais e as instituições de educação infantil, aqui no Brasil, deixam que as crianças vivenciem estas descobertas ou simplesmente adestram as crianças para que elas possam responder àquilo que os pais e professores desejam?
Vivenciei uma situação em uma instituição de educação infantil, na qual até hoje me recordo e quero aqui compartilhar essa história, para que vocês possam refletir sobre as ações tomadas no dia a dia com as crianças pequenas.
Era Dia das Mães e a professora entregou um coração recortado por ela, para que cada criança pudesse desenhar sua mãe. Todos começaram seus desenhos, no final da atividade, a professora pediu que todos entregassem o que tinham feito. Bem, para a professora, o que aquelas crianças tinham realizado não estava bom, afinal, era o cartão para o dia das Mães. Ela recortou novamente os corações, entregou as crianças, e disse a elas: Eu vou desenhar na lousa e vocês vão seguindo o que eu faço. Bem, para encurtar a história, ela arrecadou os desenhos e disse: Agora sim, está bem melhor! Não quero, com esta história, condenar a atitude da professora, porque provavelmente alguém em algum dia em sua vida também já tinha feito isso com ela, e isto pode não ter causado nenhum dano a ela.
Mas esta maneira de trabalhar com as crianças, é promover as linguagens das crianças? É desenvolver sua criatividade ou podá-la? É valorizar as crianças ou simplesmente dizer a elas tudo o que você faz não serve para nada, mas o que eu faço, isso sim, é bom?
Por outro lado, as mães que recebem um desenho desses no “Dia das Mães” sabem, de fato, o que aconteceu no processo deste desenho, ou simplesmente acha lindo, abraça, beija, se emociona com o que o(a) filho(a) entregou?
Atitudes de adestramento para com as crianças, não contribuem e nem educam para o seu desenvolvimento integral e integrado, porque a criatividade, a emoção, a fantasia, a imaginação foi podada. Nesta história, em específico, a preocupação da professora era que as mães gostassem do que iriam receber, da aparência e não da essência em si. Era mais importante um produto apresentável do que o processo como ele foi desenvolvido. Aposto que se as mães soubessem do fato, o mais importante era justamente o contrário. Ainda mais em se tratando desta data. Para as mães, o que os filhos fizessem ou como fizessem era suficiente, porque o que está sendo demonstrado ali é o carinho, o amor, o afeto, e não o contrário.
Pais, mães e professores ligados a instituições de educação infantil, não acabem com as “Cem linguagens das crianças pequenas”...


Drª. Vanda Minini
Educação: Psicologia da Educação
Palestrante e Consultora em Educação
Palestrante e Consultora em Educação: para Gestores, Coordenadores, Professores e/ou Pais.



4 comentários:

  1. Anônimo8/5/12 17:29

    Dra, boa noite!
    Como trabalhar com uma criança que não fala, ela esta numa escola particular, os professores a incentivam muito, tem interessa pela criança. Ela não é muda, foi feito vários exames e constatou um autismo leve(dito pelo neurologista). Fico muito preocupada sou a tia e seu que neste país os dito diferentes não tem vez. Por isso estamos fazendo de tudo para incentiva-lo a falar.
    Dra será que estamos certos? Estou muito ansiosa não temos nenhum caso na família. Dra o que me fortalece é que creio muito em Deus. Sei também que no século 21 esse temos várias escolas,livros e tudo para ajudar essas pessoas.
    Mas é aquele negócio a gente não quer ou não imagina que poderá acontecer na casa da gente. Mas temos consciência. Dra tem uma idade precisa para a criança com autismo fale, ele só não fala não tem qualquer outro problema,ele é saudável, corre,brinca,pula,chora,adora água.
    Na escola tem teatro e o professor disse a minha cunhada que ele fica nervoso por que quer falar sobre o que está acontecendo. Dra ficarei muito agradecida se a senhora me enviar alguma resposta, se estamos no caminhos certo ou não.
    Obrigada.
    Dra gostaria se possível me fosse enviado qualquer resposta através do meu email: madrsilva@yahoo.com.br

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    1. Anônimo8/5/12 18:32

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  2. Eu acredito que o importante é deixar a criatividade da criança ir longe.
    Um desenho feito por ela vale muito mais do que um moldado pelo professor.
    Sem dúvidas o estímulo à criatividade faz toda a diferença na vida da meninada.
    Eu mesmo sempre incentivei aqui em casa e acho que fiz a coisa certa.
    Parabéns pelo texto e obrigado pela reflexão.
    Abraços, Allan.

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  3. Crianças são muito criativas por sua própria natureza, o que pais e escola podem ajudar é estimular para que elas possam usar todo o seu potencial criativo nas mais diversas funções, assim conforme elas crescerem conseguirão enxergar várias formas de fazer algo ou tomar uma decisão. Obrigada pelo texto e informações. Beijos

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