27 de março de 2012

EDUCAR SIM: BATER NÃO!


Os pais, as mães e os familiares atualmente não sabem mais como educar seus (uas) filhos (as). O que antes era permitido como bater, hoje a lei não permite. E o que fazer? A minha preocupação é justamente essa. Nossa sociedade, mais precisamente, os governantes, para impedir uma série de barbáries que vinha acontecendo com as crianças pequenas, elaboraram uma lei, na qual proíbem qualquer tipo de violência física contra os menores. Não sou a favor de qualquer tipo de violência seja física ou verbal. Não é isso! Pelo contrário. Acredito que as crianças precisam ser protegidas sim, de toda e qualquer violência.
O problema é que os pais e/ou mães não sabem o que fazer quando uma criança apresenta uma birra, por exemplo.  Eles não estão preparados para a criança de hoje que argumenta, critica e pergunta. Caros pais e mães, não existem uma fórmula mágica para educar ninguém. Mas vou dar-lhes algumas dicas a seguir.
Primeiro digam sempre a verdade para seus filhos, não escondam nada deles. Por mais dolorido que seja, a verdade é real. O problema se instaura quando as crianças perguntam algo e vocês respondem mentiras ou porque não sabem a resposta ou por vergonha. Não mintam nunca, porque isso evita que as crianças desconfiem de vocês. Expliquem sempre as razões das situações, com lógica.
Segundo, é preciso ter paciência. Vivemos em um mundo tão corrido e, muitas vezes, não paramos para dar atenção às crianças, porque temos de pensar e fazer tantos outros afazeres para garantir o alimento da família. Sei que ganhar dinheiro é importante para manter o básico, mas não pensem que estarão perdendo tempo em dialogar com seus filhos (as), isto é maior que um ganho de dinheiro, porque dinheiro é passageiro, mas filho(a) é para sempre. Se não tiverem tempo para seus filhos (as) quando pequenos, como você poderá querer a deles companhia quando forem velhos. Dê tempo para seu filho (a) hoje e ele terá tempo para você na sua velhice. Paciência é a melhor solução.
Terceiro, é importante dizer o porquê do sim e o porquê do não. É preciso explicar a lógica dos fatos para elas. Mas esta explicação deve ser coerente e real. Por exemplo: a criança quer um brinquedo e você não tem dinheiro naquele dia. Explique isso para ela. Diga que com seu dinheiro você comprou outras coisas importantes para a família e que neste momento você não tem. Mas fale corretamente e de maneira verdadeira. Geralmente o que fazemos é: ficamos irritados conosco porque não temos o dinheiro para comprar aquilo que ela quer, e vem um sentimento de impotência. Mas todo mundo passa por isso, a vida é assim. Explicar a vida como ela é, e não como gostaríamos que fosse. Quando a criança entende a lógica dos fatos, ela não te questiona mais.
Bater nunca foi educativo. Causa-me espanto, quando vejo alguns pais e mães dizendo que uma palmadinha não faz mal a ninguém. No facebook existem até campanhas do tipo, “eu apanhei e não fiquei traumatizado. Se você também não, compartilhe”. Fiquei horrorizada quando vi isso. Desde quando, apanhar é a melhor solução? Nunca foi, pois gera mais violência ainda. Um ditado popular antigo diz: “Violência gera violência”, e é a pura realidade.
Educar sem bater é explicar, conversar, ter paciência, esclarecer 10, 20, 30 vezes, se for preciso, a mesma coisa. É falar a verdade, é respeitar, lembrar muitas vezes que também já fomos crianças e tínhamos os mesmos comportamentos ou até mesmo piores. É dar limites sem proibir. Dar sempre o bom exemplo, não brigar com outras pessoas na frente das crianças. Ensinamos tudo para elas, tanto o lado bom quanto o ruim da vida. Ensinamos a respeitar ou não as pessoas, ensinamos aos pequenos serem chantagistas quando a chantageamos, ensinamos a lidar com o dinheiro ou a serem consumistas quando compramos algo que nosso orçamento não pode suportar. Enfim, tudo é ensinado, só depende de nós. Reflita sobre suas atitudes perante as crianças, e veja se o que elas estão fazendo não é o reflexo de vocês pais e/ou mães. Na escola, a professora não pode bater e elas cuidam de muitas crianças ao mesmo tempo. Então questiono: Por que em casa precisam sofrer violência física para ser educativo? Isso é um absurdo!


Drª. Vanda Minini
Doutora em Educação: Psicologia da Educação pela PUC-SP
Consultora e Palestrante em Educação


  

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